Review Motorola One Zoom: parece top, mas não é

O Motorola One Zoom é o smartphone mais bonito e completo da linha de intermediários da Motorola em 2019, e consequentemente, também é o mais caro.

Com quatro câmeras na traseira, acabamento premium, e tela OLED que traz biometria incorporadora, você pode até confundí-lo com um top de linha, mas já aviso logo: ele não é.

Eu testei o modelo por algumas semanas, e neste review eu explico em detalhes essa história.

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Motorola One Zoom: preço e disponibilidade

O Motorola One Zoom chegou às lojas custando R$ 2.499, mas você já pode encontrá-lo por R$ 1.900 à vista, ou R$ 2.200 parcelado.

Com esse valor, o modelo concorre diretamente com os Galaxy A70 (um pouco mais barato) e A80 (um pouco mais caro) da Samsung, e também com os quentíssimos lançamentos recentes da Xiaomi; Mi 9T, e Mi 9T Pro.

Como sempre, temos as sombras de tops do ano passado por perto – como o Galaxy S9 Plus e o LG G7 ThinQ, e também do top acessível deste ano, o Galaxy S10e. Essas opções certamente vão passar pela sua cabeça na hora da compra.

Este ano o mercado está bem mais desafiador para a Motorola, que vinha crescendo com certa tranquilidade em 2017 e 2018, e com tantas boas opções na concorrência, é natural que o consumidor (incluindo esse analista que vos escreve) seja mais rigoroso na hora da avaliação.

Motorola One Zoom: prós e contras

Prós

  • O design mais bonito da Motorola em 2019;
  • Boa duração de bateria;
  • Zoom e Modo Noturno da câmera traseira cumprem o que prometem;
  • Bom som.

Contras

  • Tela decepcionante;
  • Desempenho é bom, mas está abaixo da concorrência;
  • Vibração fraca (ligações, alertas e notificações);
  • Motorola One, sem Android One;
  • Carregamento lento.

Motorola One Zoom: unboxing

Motorola One Zoom: design e construção

Enquanto One Action e One Vision são bem parecidos em termos de design, o Motorola One Zoom é tão “diferentão”, que até parece de outra linha.

A tela é OLED (e não IPS), possui notch em gota no meio ao invés do buraco no canto, e a proporção é 19.5:9 (e não 21:9).

O módulo da câmera traseira é centralizado, e não no lado esquerdo, e o corpo do dispositivo é de alumínio, e não plástico como nos antecessores.

O acabamento fosco do vidro traseiro é belíssimo e te libera daquele monte de marcas de dedos, mas atenção: ele é BEM escorregadio.

Motorola One Zoom: traseira

Para completar, o logo da Motorola se acende quando a tela é ligada e/ou quando chegam notificações, e o posicionamento do alto falante principal é bem diferente do que estamos acostumados, aparecendo no topo do dispositivo.

Motorola One Zoom: parte superior

Há um pequeno calombo no módulo da câmera traseira, mas ele é totalmente neutralizado pela capinha que vem na caixa.

Motorola One Zoom: lateral

O modelo não é leve, mas também não chega a ser pesadão. A espessura é ok, e as curvas nas bordas traseiras tornam a pegada bem agradável.

Motorola One Zoom: parte inferior

A entrada para fones de ouvido está presente na parte inferior do dispositivo (aê!), e oito (sim, 8) faixas plásticas distribuídas nas laterais fazem o papel de antena para os sinais de 4G/WiFi/BT, etc.

Motorola One Zoom: tela

A Motorola já melhorou bastante a qualidade dos painéis LCD que utiliza em seus smartphones – principalmente depois que começou a usar a tecnologia LTPS, mas quando o assunto é display OLED, a fabricante ainda patina.

Por incrível que pareça, o painel do Zoom é tão decepcionante, que até me faz lembrar do Moto X2.

O brilho é fraco, consequentemente, a leitura ao ar livre é ruim, a calibração de cores é terrível, com saturação exagerada e brancos alterados (avermelhados ou azulados, dependendo da ocasião), e a sensibilidade ao toque não é das melhores.

A tela do modelo só não é pior, porque é OLED. Isso garante pretos profundos e ângulos de visão mais amplos.

Ah, e olha que curioso: a Motorola traz vidro Gorilla Glass na traseira do modelo, porém na frente, colocou o desconhecido Panda King Glass (um Gorilla Glass “genérico”?).

Motorola One Zoom: tela

Comparada lado a lado com a excelente G-OLED do LG G8s ThinQ, por exemplo, a tela do Motorola One Zoom parece ter sido fabricada dez anos atrás.

Para que você perceba a diferença, eu fotografei os dois dispositivos lado a lado, com as mesmas configurações de brilho e cor. Veja como o branco do Zoom é avermelhado, o cinza do teclado mais parece vinho, e o azul da busca é alterado. Isso sem falar no contraste! Basta olhar como ficam as teclas na parte inferior, muito mais definidas na tela da LG.

Comparativo telas OLED: Motorola vs LG

Motorola One Zoom: câmeras

Além do design, outro item deixa o One Zoom bem perto de um topo de linha: seu conjunto de câmeras traseiras.

A Motorola chama o novo módulo de QU4D Câmera, mas na real são “só” 3, já que a última não é exatamente uma câmera, e sim um sensor de profundidade (para o Modo Retrato).

A lente principal de 48 MP com OIS é a mesma do One Vision – que aliás me deixou bastante feliz com seus resultados –, e ela está acompanhada de uma lente teleobjetiva com zoom óptico de 3x e OIS, e de uma lente ultrawide com 117º de captura.

No papel o conjunto parece estar acima de sua categoria, mas na prática, ele é um intermediário com “i” maiúsculo. Isso vai ficar mais claro quando você observar os cliques que eu fiz com o aparelho (todos sem nenhuma edição).

Nas três fotos externas a seguir, com HDR ativado, eu achei os resultados não muito impressionantes, com destaque negativo para o “efeito áura” do céu nessa foto da Lapa:

Motorola One Zoom: foto exterior com HDR
Motorola One Zoom: foto exterior com HDR
Motorola One Zoom: foto exterior com sol da tarde

Como o sensor principal é o mesmo do One Vision, que eu avaliei como excelente em seu review, creio que o Zoom precisa ter seu pós-processamento regulado, até porque o dispositivo demora uns 5 segundos para processar as imagens, e ainda esquenta um bocado durante as sessões.

Por mais estranho que pareça, eu achei que o modelo se sai melhor em fotos internas, mesmo com luz mais fraca, com um bom trabalho da inteligência artificial acontecendo nos bastidores, melhorando as cores, o contraste e a definição.

Olha que delícia essa pizza no Modo Automático + AI:

Motorola One Zoom: foto de comida

E agora olha essa lâmpada no Modo Retrato + AI:

Motorola One Zoom: foto com a câmera principal traseira no modo retrato + HDR

O Modo Noturno (ou Night Vision) apresentado inicialmente no One Vision continua mandando muito bem por aqui, e a qualidade é a mesma que você encontra no modelo anterior. Ou seja, o dispositivo cumpre bem a missão de clarear e deixar bem definidas as cenas escuras:

Motorola One Zoom: foto no modo noturno
Motorola One Zoom: foto no modo noturno

Agora passando para as câmeras extras, vamos para um comparativo mostrando as diferenças de qualidade entre o sensor principal, o ultrawide e o telephoto. São 2 situações diferentes; uma externa e uma interna, e todas as fotos foram tiradas da mesma posição no local.

1. Ultrawide:

Motorola One Zoom: foto exterior com lente ultrawide

2. Principal (wide) 48 MP:

Motorola One Zoom: foto exterior com lente wide

3. Telephoto com zoom + AI:

Motorola One Zoom: foto exterior com lente telephoto

1. Ultrawide:

Motorola One Zoom: foto interior com lente ultrawide

2. Principal (wide) 48 MP:

Motorola One Zoom: foto interior com lente wide

3. Telephoto:

Motorola One Zoom: foto interior com lente telephoto

Como você pôde ver, o zoom óptico realmente realiza um bom trabalho, tirando fotos com boa definição e até mais claras do que as capturas abertas. Não é o Huawei P30 Pro, mas pelo preço, tá super valendo.

Já nas capturas ultrawide a qualidade é apenas “aceitável”, e não chega nem perto daquilo que um Galaxy S10e é capaz, por exemplo. É importante deixar isso claro, já que o Motorola One Zoom foi lançado pelo mesmo preço atual do S10e.

Motorola One Zoom: selfie com embelezamento

Para finalizar, as selfies são bem boas em ambientes iluminados – tanto no modo “normal” quanto no Modo Retrato –, mas fotos de grupo num restaurante mais escurinho tiradas com a frontal eu já não garanto não.

Motorola One Zoom: selfie no modo retrato

No geral, entre altos e baixos, a experiência fotográfica com o Motorola One Zoom é positiva, mas ela “passa raspando”.

Fotos noturnas e com zoom são mesmo os fortes do modelo, mas o processamento precisa melhorar (talvez um update de software resolva), e a câmera ultrawide meio que não tem jeito mesmo. Ou será que a GCAM melhora?

Caso queira visualizar as fotos em tamanho original, baixe este arquivo zip.

Motorola One Zoom: desempenho

O Motorola One Zoom é equipado com o chipset Snapdragon 675 da Qualcomm, 4 GB de RAM, e 128 GB de armazenamento interno.

O conjunto desempenha muito bem nas tarefas do dia a dia, fazendo abertura e alternância rápida entre apps, rolagens suaves, boa gestão de energia, e ótima performance em games. Trata-se de um hardware competente, que certamente não vai te deixar na mão durante o próximo ano.

Só não dá para ignorar o fato de que ele fica atrás de concorrentes como o Galaxy A70 e o Mi 9T, que trazem 6 GB de RAM e atingem pontuações mais altas nos testes de benchmark.

Motorola One Zoom: Antutu Benchmark 7

Além disso, umas coisinhas desagradáveis me incomodaram durante minhas semanas de uso:

  • O smartphone esquenta bastante quando você usa a câmera traseira;
  • Algumas vezes o smartphone reiniciou do nada, e numa dessas vezes, entrou em boot loop;
  • eu perdi algumas ligações por conta da vibração fraca do aparelho, e não encontrei no sistema uma opção para melhorar isso.

Ah, e pra fechar, não posso esquecer de comentar sobre o leitor de impressão digital na tela: ele é bom sim, relativamente rápido e preciso. Só não é o melhor que há por aí.

Motorola One Zoom: bateria

Apesar do chipset Exynos presente no One Vision oferecer desempenho muito bom, a eficiência energética do modelo ficou bem abaixo do esperado.

No caso do One Zoom, a história é bem diferente: o dispositivo traz o super eficiente chip Snapdragon 675 + 4.000 mAh de bateria, combo que manda muito bem no quesito autonomia.

Durante as minhas semanas de uso, foi fácil conseguir até 2 dias inteiros com uso mais “suave”, e um dia intenso com muitas horas de tela, fotos, streaming e jogos, chegando ainda com uns 20-30% de carga no fim da noite.

Só tem um problema: o carregamento é beeem mais lento do que eu esperava. Eu sei, são 4000 mAh, mas quase duas horas pra ir de 20% a 100% é puxado.

Se você vem de um smartphone que não possui carregamento rápido, talvez não perceba isso. Agora, se você vem de um Moto G7 Plus, vai achar o “TurboPower” do Motorola One Zoom uma tartaruga.

Motorola One Zoom: som

Apesar de não ser estéreo, o alto falante no topo do Motorola One Zoom produz som de qualidade, com volume generoso, graves encorpados, e quase nenhuma distorção no máximo.

Os fones de ouvido que acompanham o modelo são os mesmos que vêm em todos os G7 e Ones lançados em 2019, e não há muito o que reclamar deles.

Os plugues com acabamento metálico são leves e confortáveis, e o aúdio é bastante satisfatório. Pena que no módulo central não há um controle de volume, e que o sistema do aparelho não vem com o aprimoramento Dolby.

Motorola One Zoom: ficha técnica

  • Android 9 Pie;
  • Tela OLED Full HD+ de 6,39 polegadas com proporção 19.5:9 (1080 x 2340 px);
  • Vidro Panda King Glass;
  • Chipset Qualcomm Snapdragon 675 octa core máx. 2.2 GHz;
  • GPU Adreno 612;
  • 4 GB de RAM;
  • 128 GB de armazenamento interno + entrada para micro SD de até 512 GB;
  • Câmera traseira quádrupla:
    – Sensor principal wide de 48 MP f/1.7 com PDAF e OIS
    – Sensor telephoto de 8 MP f/2.4 com zoom óptico 3x e OIS
    – Sensor ultrawide de 16 MP f/2.2
    – Sensor de profundidade de 5 MP
  • Gravação de vídeo 4K 30fps;
  • Câmera frontal de 25 MP f/2.0;
  • Leitor de impressão digital na tela;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio;
  • Bluetooth 5;
  • Rádio FM;
  • USB Tipo C;
  • Bateria de 4000 mAh com carregamento rápido (15 w).

Motorola One Zoom: vale a pena?

Na minha opinião, a Motorola só acertou “na mosca” em uma coisa este ano: no Moto G7 Plus.

Na faixa dos R$ 1.000, o Moto G7 Plus oferece um conjunto impecável, com som estéreo, boa tela, desempenho bacana, ótimas câmeras e carregamento ultrarápido. Era exatamente isso que eu esperava do One Zoom na faixa do R$ 2.000, mas infelizmente ele não entregou.

A tela OLED do Zoom tem qualidade inferior à da concorrência, a bateria carrega devagar, o desempenho fica abaixo de modelos até mais baratos, como o Galaxy A70, e as câmeras extras – ultrawide e telephoto – não são essa Coca-Cola toda.

A câmera principal de 48 MP com visão noturna é o ponto alto do modelo, mas ela também está no One Vision, que é mais barato e tão potente quanto (e ainda tem uma tela melhor).

O design é lindo de morrer e o acabamento é sofisticado, então, se isso é importante pra você, vai fundo. Agora, se você busca custo-benefício, espere o preço cair, ou olhe as opções ao lado.

Sendo assim, meu veredito com base no preço atual, é:

bacana

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Deixo o meu agradecimento à assessoria da Motorola, que gentilmente emprestou o celular utilizado nesta análise.
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