Fone de ouvido tradutor Pilot: o futuro da comunicação dentro dos ouvidos

Há sete anos vivo em Berlim, na Alemanha. O alemão não é um idioma fácil de se aprender, pelo menos não tão simples quanto o inglês. Neste momento, estou no quarto curso para dominar a língua alemã e, por mais que eu esteja feliz com o aprendizado, confesso que gostaria de pegar atalhos com o objetivo de me comunicar plenamente com as pessoas e conhecer o povo e a cultura alemã de forma mais rápida.

Se você, assim como eu, é fã da série Star Trek, deve lembrar do tradutor universal, um dispositivo capaz de traduzir em tempo real qualquer idioma, de modo bidirecional. Na ficção científica, este gadget permite que humanos se comuniquem com aliens, por exemplo, com o objetivo de conhecer diferentes culturas e, claro, evitar desentendimentos que possam levar a uma guerra intergalática.

Para minha felicidade, durante o MWC 2018, tive a chance de conversar com Andrew Ochoa, CEO e VP de Produto do Waverly Labs, e conheci o Pilot, um fone de ouvido cujo objetivo é traduzir até 15 idiomas, em tempo real, de forma bidirecional. Isso mesmo, o futuro está aqui e custa 249 dólares.

Sim, a tecnologia ainda não é assim tão acessível e, de acordo com Ochoa, neste momento a empresa está começando a enviar o Pilot para os early adopters, ou seja, para aquele pequeno grupo de usuários que deseja ter a experiência com novas tecnologias independente do custo ou do estágio de desenvolvimento do produto.

Como funciona o Pilot

De forma objetiva, o Pilot é uma ferramenta portátil usada para facilitar a comunicação entre duas pessoas que falam idiomas diferentes. Desenvolvido como um fone de ouvido Bluetooth e sem fio, o Pilot possui microfones que captam a conversa e oferecem uma tradução em tempo real. Se você assistiu ao meu vídeo sobre o Google IO 2017, já deve ter identificado certa semelhança com os fones de ouvido Pixel Buds, da Google (149 dólares).

O fone de ouvido tradutor Pilot permite traduzir até 15 idiomas em tempo real e bidirecional ©Waverly Labs

Quando mencionei essa semelhança para Ochoa, ele disse que sim, “com a diferença de ser melhor”. Claro que para confirmar isso, teria que fazer um teste com o Pilot, mas considerando a lógica, acredito que o CEO da Waverly Labs tenha razão. O motivo é simples, a empresa dedicou quatro anos de pesquisa e trabalha em conjunto com parceiros para entregar a melhor experiência possível para os usuários. O Pilot é a menina dos olhos da empresa, enquanto o Pixel Buds é uma espécie de laboratório para a Machine Learning da Google.

O Pilot pode ser usado tanto em dispositivos rodando Android quanto iOS e se conecta ao smartphone com o auxilio de um app e do Bluetooth. O mais bacana de tudo é que você pode compartilhar as peças, pois a conexão com o celular é feita em canais diferentes, lado esquerdo e lado direito. Isso faz com que a segunda parte da conversa não precise, necessariamente, ter um Pilot para que a comunicação flua. Bam!

Os fones de ouvido Pilot permitem conectar cada peça em canais de Bluetooth diferentes ©Waverly Labs

Durante meu curto teste com o fone de ouvido, tive a chance de usá-lo para traduzir uma conversa simples do Português do Brasil para o Inglês. Infelizmente, o local não ajudou devido às infinitas interferências inerentes ao local da feira, mas quando a tradução funcionava, me chamou a atenção o fato de, mesmo sendo configurado para o idioma falado no Brasil, ainda assim, tinha um sotaque português, ou melhor, lisboeta. No entanto, Ochoa prometeu que vai prestar mais atenção a isso.

No mais, é muito bom ver que mais e mais empresas estão investindo neste tipo de aparelho. Convenhamos que, depois da introdução e otimização do Google Tradutor, a vida de quem depende de tradução melhorou bastante. O Pilot é praticamente a ferramenta da web localizada dentro do ouvido. Levando em consideração que cada vez mais pessoas viajam, seja a trabalho, seja a turismo, vejo quase como necessário o desenvolvimento deste tipo de gadget.

Vale dizer aqui que o Pilot também funciona como fone de ouvido Bluetooth, mas acredito que a qualidade do áudio não seja o forte destes fones.

O lado positivo do Pilot e dispositivos afins é quebrar a barreira da comunicação, o negativo é que tornaria (no futuro) desnecessário o aprendizado de um segundo, terceiro ou quarto idioma. Logo, teríamos que criar novas maneiras de desenvolver nossos cérebros. Você teria alguma sugestão?

Por enquanto, posso dizer que o Pilot me surpreendeu, mas ainda tenho que testar o aparelho para oferecer uma opinião mais concreta sobre ele. Isso deverá acontecer dentro de duas ou três semanas. O Pilot ainda conta com concorrentes como o Travis the Translator e, claro, o Pixel Buds, da Google.

E aí, você é a favor deste tipo de ferramenta? Você compraria o Pilot? Por quê?

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