DL vai lançar celulares Xiaomi no Brasil

No final do ano passado a ANATEL anunciou um “pacotão” de novidades sobre a fiscalização de eletrônicos importados que gerou uma série de consequências, e sem dúvida os principais afetados foram os celulares Xiaomi no Brasil.

O objetivo era claramente enfraquecer as importações diretas dos aparelhos, cujo sucesso só cresce.

Neste artigo eu apresento alguns dados importantes para você entender como a Xiaomi está chacoalhando o mercado de smartphones no Brasil, e como isso acabou desencadeando o interesse de algumas empresas brasileiras como a DL, que já confirmou o lançamento de 2 modelos da chinesa oficialmente no país.

A empresa, conhecida pelos tablets baratinhos, homologou os smartphones Pocophone F1 e Redmi Note 6 Pro da Xiaomi na ANATEL, e já avisou que outros modelos virão.

Fim da linha para celulares Xiaomi no Brasil - Mobizoo

Alguém precisava parar o crescimento dos celulares Xiaomi no Brasil

Como você deve saber, a Xiaomi esteve presente oficialmente no mercado brasileiro por um breve período, até que percebeu que sua operação não seria sustentável com a estratégia adotada, ainda mais num cenário de crise econômica crescente (2015 – 2016).

Mas apesar desse fracasso oficial, a presença dos celulares Xiaomi no Brasil continuou crescendo bastante desde então, primeiro graças ao boca-a-boca feito pelos próprios consumidores super satisfeitos da marca – conhecidos nos grupos como “Xiaominions” –, e segundo pelo sucesso de grandes lojas chinesas como a GearBest e a Banggood.

Essa popularidade cresceu tanto que, de acordo com dados recentes da StatCounter, a marca já estava vendendo mais que a Sony e a Alcatel.

Market share dos celulares Xiaomi no Brasil
Market share dos celulares Xiaomi no Brasil já é maior que da Alcatel e da Sony.

Os números da chinesa no país são impressionantes, porém totalmente previsíveis se você levar em conta o nível dos aparelhos que as “grandes marcas” colocam no mercado nas categorias entre 500 e 1.500 reais.

Por mil reais, você pode comprar o excelente Xiaomi Redmi Note 5 no Mercado Livre (ou pagar até menos se decidir importar), enquanto entre as marcas que operam oficialmente no Brasil, se vê obrigad@ a levar algo bem inferior, pelo mesmo valor (Galaxy J6 Plus, por exemplo).

É verdade que a carga tributária duplica os preços dos produtos no Brasil, as fabricantes investem uma grana empregando gente no país, o roubo de cargas é enorme e causa muito prejuízos, eu sei disso tudo. Mas na hora do “vamo vê”, não tem jeito: o povão quer o melhor pelo menor custo possível, e ponto final. É o tal do custo-benefício, onde as chinesas são campeãs.

Aliás, o Marcel Campos da Asus, em entrevista dada ao canal Be!Tech em 2017, comenta sobre estes aspectos, e diz que algo precisaria ser feito pelo governo, caso os smartphones chineses trazidos via importação ultrapassassem os 1% de market share:

“Rasteira” da ANATEL veio no momento de maior popularidade dos celulares Xiaomi no Brasil

Se você acompanhou o caso com a gente, já sabe que a ANATEL passou a exigir a homologação ($$$) dos celulares importados via Correios no Brasil.

À princípio todo mundo achava (inclusive eu), que a nova exigência não valeria para celulares de marcas famosas como a Xiaomi, que já são homologados por órgãos internacionais, mas tudo mudou depois da seguinte resposta que a agência nos deu:

MOBIZOO: Os smartphones chineses de marcas populares (Xiaomi, Huawei, OnePlus) que já são homologados por órgãos internacionais como FCC, CE e TENAA, serão retidos para homologação da Anatel?

ANATEL: A ANATEL não possui acordo de reconhecimento mútuo com essas entidades. Nesse sentido, as homologações internacionais não são reconhecidas.

E olha que interessante: essa bomba veio na semana após a Black Friday, exatamente no momento em que os celulares Xiaomi atingiram seu maior pico histórico de popularidade no Brasil.

Basta olhar esse gráfico do Google Trends para constatar:

Crescimento da popularidade dos celulares Xiaomi no Brasil

Outro dado super interessante do gráfico acima, mostra que o volume de buscas pelos celulares Xiaomi é maior nos estados mais pobres do país, notadamente o Piauí e o Maranhão.

Nesses locais, onde o poder aquisitivo é menor, a Xiaomi se tornou a melhor alternativa para quem quer ter um “celular de marca”, mas não pode pagar os preços praticados por Samsung e Motorola.

Não se trata aqui de um fenômeno isolado, já que a Xiaomi também vem crescendo demais em outros mercados de baixo poder aquisitivo, como na Índia, por exemplo. Aliás, nesse país ela já tomou a liderança da Samsung.

Aparentemente, a ANATEL se adiantou antes que a coisa chegasse num nível ameaçador demais para as fabricantes locais, e deixou claro que vai fazer o possível (e o impossível) pra acabar com essa “farra”.

Efeito cascata nas importações

Você deve estar aí pensando:

“Quanto sensacionalismo desse Anderson! Tá fazendo click bait! Eu ainda posso comprar meus celulares Xiaomi na China e pagar a homologação, ora!”

Então, eu odeio dar notícia ruim… mas, vamos a elas: Primeiramente, a ANATEL não está cobrando a taxa de homologação sobre o celular de ninguém. Quando ela não autoriza a entrada do aparelho no país, ela simplesmente manda de volta sem nenhuma chance de contestação do comprador.

Além disso, efeito cascata dessas medidas da ANATEL já está acontecendo, e muitas lojas chinesas já estão informando que VÃO PARAR de enviar seus produtos para o Brasil, por conta do prejuízo enorme que essas devoluções irão causar.

Dá um look no que a Geekbuying acaba de anunciar:

Naturalmente você pensa: “mas então eu compro no Mercado Livre ou em outro Market Place com pronta entrega no Brasil, ora!”. Aí eu te pergunto: de onde você acha que esses vendedores compram estes produtos?

Mas e o Paraguai?

É verdade que muitos celulares Xiaomi em circulação no Brasil vêm do Paraguai, já que lá eles são vendidos oficialmente. Inclusive, alguns vendedores do Mercado Livre trazem seus smartphones de lá para vendê-los aqui.

A ANATEL diz que TODOS os celulares que entrarem no Brasil a partir de agora deverão ser homologados, mas como a gente sabe, a fiscalização Aduaneira na fronteira com o Paraguai é quase inexistente. Então, certamente os Xiaomi não serão retidos para homologação na entrada.

O problema nesse caso, é que a ANATEL já está há mais de um ano avisando que irá bloquear aparelhos com IMEI inválido, através do programa Celular Legal.

Por isso, minha dica é: consulte a situação do IMEI do aparelho que você vai comprar ainda na loja do Paraguai, através do site da ANATEL. Se o IMEI estiver válido, você poderá usar o aparelho sem problema no Brasil (só não sei até quando).

Se você não está por dentro do programa Celular Legal, dê uma olhada nesse outro artigo:

Um fio de esperança

A Xiaomi está expandindo seus mercados por todo o mundo, e recentemente ela publicou uma imagem em seu Instagram oficial sugerindo que também poderia vir para o Brasil. Se liga:

Essa imagem não é suficiente para afirmarmos nada ainda, mas certamente colocou um fiozinho de esperança nos fãs da marca que já aceitaram o fato de que vai ficar muito difícil importar os celulares Xiaomi no Brasil daqui pra frente.

Agora, com a confirmação de que a DL está de fato trazendo oficialmente alguns celulares Xiaomi para o Brasil, fica claro que a chinesa está de olho em nosso mercado, e vai entrar de um jeito ou de outro, com ou sem representação oficial.

Empresas tupiniquins dispostas a fazerem essa ponte certamente não irão faltar.

E você, o que acha dessa história toda? Quer ver celulares Xiaomi no Brasil de forma oficial? Comente aí embaixo!

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