Celular dobrável: por que isso nunca vai acontecer

Eu já estava devendo há algum tempo um texto opinativo aos leitores e leitoras do Mobizoo, e não há momento melhor para escrever algo do tipo, do que após a apresentação de um celular dobrável.

Na verdade, trata-se apenas de um prótotipo da Samsung apresentado num evento para desenvolvedores, muito mais como um conceito de futuro para os dispositivos móveis, do que um produto de fato. Só tem um probleminha: esse futuro não faz o menor sentido.

Celular dobrável: por que isso nunca vai acontecer - Mobizoo

Celular dobrável: aquele futurismo hollywoodiano

Sabe aquelas telas transparentes que aparecem nos computadores, tablets e smartphones dos filmes de Hollywood? Então, temos o mesmo caso aqui. Assim como é terrível utilizar uma tela transparente no mundo real – imagine editar fotos no Photoshop!? trabalhar em planilhas complexas!? Usar uma tela dobrável é igualmente problemático, só que de outras formas.

A história da tecnologia já nos ensinou que ter partes móveis num dispositivo portátil é sempre uma preocupação extra, vide os antigos celulares de flip e os Nintendo DS que com o tempo vão “amolecendo” seus mecanismos de abertura. Um design minimalista, mais fácil e mais seguro de se manusear é sempre o melhor caminho. Aliás, foi o primeiro iPhone que nos mostrou isso.

Celular dobrável: nenhum ganho na usabilidade

Além de tornar o design e a construção dos dispositivos mais complexa, qual o propósito de um celular dobrável? Ampliar a bateria? Ampliar a tela? Elas já estão beirando as 7 polegadas, então pra quê extendê-las ainda mais? No caso das baterias, não é difícil hoje encontrarmos bons aparelhos com 5000 mAh de capacidade.

E principalmente, qual é o ganho na experiência do usuário? Se teremos que abrir o dispositivo para desbloqueá-lo e começar a usar, adicionando mais uma interação.

Por que voltar para um modelo de interação antigo para buscar informação? Ou seja, abrir o jornal, a revista, o livro, se nós já estamos acostumados a rapidamente tirar o dispositivo do bolso e pronto?

“Ah, mas aí você vai ter um celular e um tablet ao mesmo tempo no seu bolso. Olha que legal!”. Pois é, mas quantas pessoas você vê usando tablets hoje em dia?

Você quer assistir um filme na horizontal? Basta “deitar” seu smartphone, ora! Quer ler um livro com conforto? Kindle. Quer fazer anotações como se estivesse usando uma caderneta? O Galaxy Note 9 tá aí pra isso, uai. Quer um dispositivo enorme voltado para produtividade? O iPad Pro também já existe, amiguinh@.

Mas Anderson, o design de caderno não iria deixar a tela mais protegida? Hum… não. Eu já cansei de ver Mackbook Pro com a tela trincada depois de uma queda, mesmo com o aparelho fechadinho. Ou seja, não se anime.

Celular dobrável: uma ideia que pode levar a outra ideia?

Marques Brownlee, um dos mais importantes youtubers de tecnologia do mundo publicou um vídeo em seu canal comentando sobre o celular dobrável.

Ele concorda comigo nos questionamentos sobre a utilidade e a usabilidade de um dispositivo deste tipo, mas acrescenta que isso pode ser apenas uma “experimentação louca” da Samsung, que pode ser aplicada em algo realmente legal no futuro (talvez nem seja um smartphone).

Um momento delicado para a Samsung

O protótipo do possível Galaxy Infinity Flex (parece nome de plano da TIM) não é o primeiro dispositivo com tela dobrável já apresentado. Eu mesmo testei alguns durante o MWC 2018, em fevereiro, e outros tantos deram as caras nesse meio tempo.

Mas então por que a coreana fez todo esse barulho com seu anúncio? Bom, a companhia está num momento tenso de sua história, e por isso precisa mostrar que está inovando.

O histórico não é nada favorável para empresas que ficaram no topo por muito tempo (né, Nokia?), e parece que a Samsung sabe disso.

Depois de quase uma década liderando o mercado de smartphones, a companhia se vê pressionada pelo crescimento assustador de gigantes chinesas como a Huawei, que estão inovando em diversos campos (como o das câmeras), e devorando fatias de mercado que até então eram da Samsung.

O Galaxy S9 não teve o sucesso de vendas esperado, e mesmo em segmentos de baixo custo a coisa está se complicanto, com cada vez mais boas opções surgindo para os consumidores.

Muita gente faz besteira quando está sob pressão, e eu sinto que, se a Samsung não se cuidar, vai acabar entrando nessa.

O que você acha? Conte aí nos comentérios!

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