Xiaomi Redmi 9: o rei do custo-benefício [Review]

Black Friday 2020 Mobizoo

O Xiaomi Redmi 9 parece que foi pensado para 2020: num ano de depressão econômica, isolamento social e tragédias humanitárias, a proposta do modelo de oferecer a melhor experiência pelo menor preço caiu como uma luva.

Desenvolvido em parceria com a MediaTek, o Redmi 9 vai muito além do que você poderia esperar de um celular na faixa dos R$ 1.200, trazendo um processador de alto desempenho para jogos (o Helio G80), uma câmera quádrupla traseira, tela Full HD+, e bateria gigante.

Se você está pensando em comprar o modelo, vem comigo nessa análise completa, onde eu vou contar tudo o que achei dele depois de algumas semanas de uso.

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Tá com muita pressa? Então confira abaixo a minha lista de prós e contras, ou vá direto para:

Prós e contras

Prós

  • Tela grande e com resolução Full HD+;
  • Desempenho muito acima da concorrência;
  • Câmera quádrupla competente;
  • Bateria que dura muito;
  • Bonito, leve, fino e confortável (apesar da bateria grande);
  • Tem infravermelho;
  • Tem suporte ao carregamento turbo de 18w.

Contras

  • O brilho da tela é bem fraco – você vai sofrer pra enxergar alguma coisa no sol;
  • Não tem 4G+ (apenas 4G, verificado na Claro RJ);
  • Carregador que vem na caixa é de apenas 10w, e demora um bocado para carregar toda bateria do dispositivo.
Xiaomi Redmi 9 é bom? Vale a pena? [Review] - Mobizoo

Ficha técnica

  • Android 10 com MIUI 11 (com atualização prevista para MIUI 12);
  • Tela IPS LCD 6,53 polegadas Full HD+ (1080 x 2340) com Gorilla Glass;
  • Chipset  MediaTek Helio G80 octa-core 2,0 GHz;
  • GPU Mali-G52 MC2;
  • 3 ou 4 GB de memória RAM;
  • 32 ou 64 GB de armazenamento interno, expansível com micro SD;
  • Câmera traseira quádrupla:
    13 MP wide f/2.2 com foco automático por detecção de fase;
    8 MP ultrawide f/2.2;
    5 MP macro f/2.4;
    2 MP sensor de profundidade f/2.4;
  • Câmera frontal de 8 MP f/2.0;
  • Gravação de vídeo Full HD a 30 fps;
  • Bluetooth 5.0;
  • Wi-Fi 5 GHz;
  • Rádio FM (funciona mesmo sem fones de ouvido);
  • A-GPS, Glonass, Galileo e BDS;
  • Leitor de digitais na parte traseira;
  • USB tipo C;
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, giroscópio e compasso, IR, sensor de luz;
  • Bateria de 5.020 mAh com carregamento turbo de 18W.

Unboxing [vídeo]

Design e tela

Apesar de não contar com materiais luxuosos em sua construção, o Redmi 9 possui acabamento muito bom.

A traseira de plástico fosco é levemente curva e possui textura em linhas concêntricas – detalhes que ajudam bastante na pegada, e todas as opções de cores (inclusive a cinza) possuem efeito degradê que adiciona um ar jovial ao modelo, sem exageros.

O corpo é surpreendentemente leve e fino considerando-se a capacidade avantajada da bateria, e ele é até bem confortável para um smartphone grandalhão.

As câmeras traseiras estão alinhadas verticalmente no centro da tampa plástica – o que é bom, mas o leitor biométrico muito coladinho logo abaixo delas pode ser um problema, já que o usuário pode colocar o dedo nas lentes sem querer ao tentar desbloquear seu aparelho.

Xiaomi Redmi 9 - traseira

Na parte da frente o Redmi 9 me agradou em quase tudo, menos em 1 detalhe, que já já eu comento.

A tela IPS de 6,53 polegadas com resolução Full HD+ é protegida por vidro Gorilla Glass 3, as bordas em torno do painel são bem pequenas (inclusive a inferior), e o notch é discreto, resultando num ótimo aproveitamento frontal.

O display do modelo é muito bom em termos de qualidade de imagem – com excelente definição, cores vibrantes, pretos profundos, e brancos que podem ser ajustados “ao gosto do freguês”, mas a coisa muda de figura quando falamos de brilho.

Sim amiguinhos e amiguinhas, o brilho dessa tela é tão fraquinho, mas tão fraquinho, que eu tive que apelar para o ajuste manual no máximo quase o tempo todo.

Desse jeito dá pra usar de boa em ambientes internos, mas a coisa fica realmente complicada ao ar livre num dia de sol. Tanto que a Xiaomi colocou no software do modelo um “Modo Luz do Sol” para tentar reverter a situação.

Esse modo altera o contraste das interfaces dos apps para forçar uma visualização melhor debaixo do sol (e realmente melhora um pouco em algumas tarefas), mas nem isso vai te salvar do sofrimento de tentar enxergar alguma coisa na tela do Redmi 9 durante uma sessão de fotos no sol.

Xiaomi Redmi 9 - tela

Câmeras

O Xiaomi Redmi 9 possui conjunto óptico humilde, porém completo. São quatro câmeras na traseira, sendo 13 MP f/2.2 na principal, 8 MP f/2.2 na ultrawide, 5 MP f/2.4 na macro, e mais um sensor de profundidade de 2 MP f/2.4 para desfocar o fundo das fotos no modo retrato.

Curiosamente, a câmera frontal de 8 MP possui abertura melhor que da câmera principal traseira (f/2.0), garantindo bons resultados nas selfies.

Olhando apenas os números, não daria para esperar nada muito incrível do modelo nesse setor, mas bastou eu começar a clicar para perceber: o aparelho surpreende nos resultados, principalmente por conta da excelente tecnologia de processamento de imagem incorporada no chip MediaTek, aliada ao software da câmera.

Vamos aos exemplos, começando pela lente principal em situações de boa luz.

Perceba como o processamento extrapolou o limite de captura da câmera, trazendo a cor das folhas para a imagem (normalmente elas estariam totalmente escuras nessa situação).

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

Utilizando o Modo Retrato com certa distância, veja como a imagem fica interessante. O objeto central fica bem destacado, as áreas claras e escuras estão equilibradas, o desfoque é apropriado, e a representação de cores salta aos olhos. O resultado é bem legal:

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

O mesmo acontece com Modo Retrato usado para um objeto mais próximo da lente. Veja como o céu continua lá, azulzinho, o primeiro plano bem definido, e o fundo desfocado sem áreas escuras perdidas, ou áreas claras estouradas. Isso é HDR do bom, minha gente!

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

O mais legal é que o Redmi 9 ainda permite o uso da câmera principal como se fosse uma teleobjetiva, aproximando assuntos mais distantes, e conseguindo imagens desse naipe:

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

À noite as coisas ficam mais complicadas para essa lente, mas isso era esperado, já que não estamos falando de um sensor de 48 ou 64 MP com Quad Pixel e grande abertura disponível. Mesmo assim, os resultados não chegam a ser ruins.

Recomendação: veja a imagem abaixo no original para ter uma noção melhor (link no fim dessa seção).

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

A lente ultrawide também oferece imagens com cores vibrantes, HDR competente e muitos detalhes, mas é possível perceber alguma distorção nas bordas. Nada muito grave. Confira três exemplos:

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9 Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9 Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

Outra coisa que me surpreendeu no Redmi 9 foi sua câmera macro. Normalmente esse tipo de câmera é terrível em celulares mais acessíveis, mas nesse Xiaomi até que ela é bem usável.

Você precisa de um pouco de paciência para acertar o foco, mas é possível conseguir imagens bem legais:

Como eu disse lá no início, a abertura f/2.0 da câmera frontal garante boa sensibilidade à luz nas selfies para a maioria das situações, e o bom processamento novamente entra em cena para obter resultados bastante satisfatórios, considerando o preço do aparelho.

Veja uma selfie no modo automático:

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

E agora no Modo Retrato:

Teste de câmera - Xiaomi Redmi 9

Agora me diz lá nos comentários: é ou não é um conjunto muito bom para um celular que pode ser comprado por até R$ 1.000?

Para ver as fotos deste review em tamanho original, acesse o Google Drive do Mobizoo.

Teste de desempenho [vídeo]

Uma das coisas que mais chamam atenção no Redmi 9 é sua velocidade e fluidez na execução do sistema, apps e games.

Graças ao chipset MediaTek Helio G80, temos aqui um milagre chamado celular barato de alto desempenho, que consegue ser MUITO mais veloz que vários modelos mais caros vendidos no Brasil. Por isso mesmo, ele é super indicado para que é exigente nesse quesito.

Isso fica ainda mais claro quando vemos a pontuação que o dispositivo alcança no Antutu Benchmark, lembrando que a versão utilizada neste review foi a de 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento:

Pontuação no Antutu Benchmark

Xiaomi Redmi 9: pontuação no Antutu

Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, Netflix, Mapas e demais apps do dia a dia rodaram “lisinhos” durante as minhas semanas de testes, e eu não presenciei nenhum engasgo, travamento ou super aquecimento no aparelho, mesmo nos momentos onde ele foi mais exigido.

Games super otimizados como Call of Duty podem ser jogados com qualidade máxima no Redmi 9, porém os demais apresentam melhor desempenho na qualidade padrão. Dá uma olhada no vídeo abaixo para ver como ele se sai:

Bateria

Os celulares da Xiaomi são sempre muito bons de bateria, e no caso do Redmi 9 o resultado é ainda melhor. Afinal, o modelo conta com 5020 mAh de capacidade, que aliada ao consumo baixo da MIUI e ao bom gerenciamento de energia do chip MediaTek, resultam em quase 3 dias longe da tomada, com uso moderado.

Mesmo com uso mais intenso ainda é possível obter 2 dias de autonomia, e você só vai conseguir gastar a bateria inteira num dia só se ficar jogando Genshin Impact online sem parar. Mesmo assim, ainda terá horas de jogatina.

Eu só não vou dar nota 10 nesse quesito por conta do carregador de 10w que acompanha o modelo. Ele é fraco pro tamanhão da bateria, e por isso demora um tempão pra ir de 10 a 100% (quase 3 horas).

Áudio

A Xiaomi nunca foi uma Brastemp em termos de áudio, e no caso dos intermediários mais baratos você está no lucro se o aparelho tiver um som decente, como no caso do Redmi 9.

Não há graves no alto falante principal, mas o som é bem alto, e nos acessórios o que acontece é exatamente o oposto: tanto em fones com fio como em caixas sem fio temos volume mais limitado, com som profundo e generoso nos graves.

Nesse quesito o modelo “passa raspando”, mas pelo preço está de bom tamanho.

Veredito

O Xiaomi Redmi 9 é bom demais quando comparado com os celulares de mesmo valor, mas ele não é perfeito.

Você fará a excelente compra ao escolher o modelo com 64 GB (32 já não rola em 2020), mas esteja ciente de que o brilho fraco da tela pode ser um problema, principalmente se você trabalha na rua.

A ausência do 4G+ e de um carregador mais potente na caixa também são pontos que devem ser considerados, mas pelo menos no caso do carregador a solução é simples: basta comprar um de 18w, ou usar aquele TurboPower da Motorola que você tem na gaveta.

No mais, é só alegria: hardware muito potente, boas câmeras, bateria de longa duração e tela de alta resolução fazem do Redmi 9 uma excelente opção para quem está com o orçamento apertado. Além disso, o modelo ainda traz coisas que você não encontra nos Samsungs e Motorolas de mesmo valor, como Wi-Fi 5 GHz e infravermelho.

Por isso, meu veredito é:

Ainda não conhece a escala memética de avaliação do Mobizoo? Então veja como fazemos nossas análises de celular.

As opiniões deste review são 100% sinceras, baseadas na experiência real de uso do equipamento. O celular utilizado nesta análise foi comprado pelo Mobizoo, e não emprestado ou cedido pela fabricante ou loja parceira.

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