Os piores do ano de 2021

Também conhecido como “2020, parte 2”, o ano de 2021 foi desafiador em absolutamente todos os sentidos: milhares de famílias perderam entes queridos para a COVID-19, outras milhares conviveram com o medo, a ansiedade e muitas incertezas, e mais alguns milhões de brasileiros tiveram que dar um jeito de sobreviver à fome e ao desemprego.

Nesse clima, eu decidi fazer algo diferente para a última publicação do ano aqui no Mobizoo, trocando a lista de melhores do ano (que você pode conferir em outros veículos), por algo mais “pé no chão”, elencando os principais fatos e produtos que geraram impacto negativo nos consumidores.

Desta forma, você vai ter um panorama mais amplo do que esse ano trouxe de ruim para o nosso ramo, do ponto de vista de alguém que experimenta praticamente tudo que o segmento mobile lança, e encontra problema em 100% do que testa (é sério). Bora lá?

A Xiaomi precisa tomar vergonha na cara e consertar a MIUI

O título já é auto explicativo, né não? Mas, vou complementar.

Absolutamente todos os smartphones da marca que eu testei com 2021 apresentaram pelo menos um bug na MIUI, e pior: muitos receberam atualizações que corrigem 1 erro, e geram outros 3.

Foram milhares de POCO M3 que não ligavam mais após uma atualização da MIUI, diversos Redmi recentes com problemas no áudio e na bateria, e mais uma penca de outros modelos apresentando os mais diversos tipos de problema.

Não é à toa que o post que mais recebeu comentários em todo o ano de 2021 foi: MIUI 12: não atualize seu Xiaomi antes de ver essa lista de bugs!

Conclusão: ou a Xiaomi coloca todos os seus esforços para entregar uma MIUI 2022 livre de bugs, ou sua batata vai assar bonito nesse novo ano.

A Samsung precisa melhorar o controle de qualidade de seus produtos

Mesmo com todos os problemas da MIUI, os celulares da Xiaomi cresceram muito nos últimos anos, alcançando o segundo lugar global em 2021, e dando um trabalho danado para a líder Samsung se manter no topo.

A coreana deu seus pulos em 2020 e 2021 para melhorar o custo-benefício de seus aparelhos (especialmente nas séries Galaxy A e M), mantendo sua posição em segurança, mas uma coisa importantíssima ficou de lado nesse processo: o controle de qualidade.

Como que eu sei disso? Simples: eu comprei diversos celulares da marca lançados em 2021 para testar, e TODOS apresentaram algum tipo de problema.

Os queridinhos do custo-benefício, Galaxy A22 (na faixa dos R$ 1.000) e Galaxy S20 FE (na faixa dos R$ 2.000), que eu comprei em grandes lojas do varejo online, vieram com a tampa traseira descolando, como você pode ver na imagem abaixo:

Traseira do Samsung Galaxy A22 descolando

…e o grande sucesso da Black Friday 2021, o Galaxy M52 5G, comprado na loja oficial da marca, veio com burn in na tela:

Burn in na tela do Samsung Galaxy M52 5G
Repare como a imagem do relógio do Always on Display ficou marcada na tela no Galaxy M52 5G

E pasme! Até a cara Smart TV Neo QLED 50QN90A que minha namorada comprou em novembro veio com uma enorme mancha escura no canto inferior direito da tela, indicando um problema na montagem do painel, já que a caixa estava sem nenhum sinal de impacto no transporte.

Smart TV Samsung Neo QLED com mancha na tela

O mais bizarro dessa história é que todos os produtos que eu citei são excelentes em suas categorias, deixando claro que a marca acertou nos lançamentos em 2021, porém errou na entrega ao consumidor final.

Sendo assim, deixo aqui o espaço aberto para que a empresa explique o que aconteceu com sua linha de produção nacional em 2021.

Metaverso é “espelho de índio” e só serve para você esquecer que o Facebook é mau

Desde o escândalo Cambridge Analytica, em 2018, está mais do que claro que o Facebook é uma empresa nociva para a sociedade, que precisa urgentemente ser regulada pelos governos.

Em 2021 isso ficou ainda mais explícito, quando Francis Haugen, uma ex-funcionária da empresa, compartilhou com a imprensa e com o governo americano uma quantidade enorme de documentos que comprovam as práticas extremamente tóxicas da empresa.

De forma resumida, os documentos provam que o Facebook prioriza o lucro sobre as pessoas, ignorando denúncias e problemas dos algoritmos de suas redes sociais, mesmo quando eles viralizam discursos racistas, nazistas, machistas ou homofóbicos.

Segundo análise dos documentos feita pelo Intercept, frente à opinião pública o Facebook diz que adota políticas para combater a desinformação, mas internamente não muda absolutamente nada em seu sistema de ranqueamento que privilegia conteúdo mentiroso e violento para prender atenção.

Francis Haugen no Congresso Americano
Francis Haugen explica as práticas tóxicas do modelo de negócio do Facebook no Congresso Americano.

Com a sequência de escândalos culminada pelas declarações de Haugen colocou as ações da empresa em queda livre na bolsa, Mark Zuckerberg e sua trupe trataram de tirar um coelho da cartola para desviar as atenções do problema e acalmar os ânimos do mercado: a empresa muda seu nome para Meta, e lança o Metaverso vendendo-o como uma verdadeira revolução da era digital.

Se você assistiu a série Succession da HBO Max, sabe bem do que eu estou falando.

Ficou mais do que óbvio que o nome Facebook já estava irremediavelmente manchado, e que o Metaverso é uma forma de alimentar a mídia com centenas de releases sobre algo “futurista” e maravilhoso pelos próximos meses. Desta forma as pessoas vão acabar esquecendo da “merda no ventilador”, e o Facebook pode voltar a lucrar de forma tóxica e perigosa sem muitos problemas.

Eu que já vi dezenas de tentativas fracassadas de empresas querendo emplacar um universo que mistura RV (Realidade Virtual) e RA (Realidade Aumentada), não caio nessa não.

E você, o que acha disso tudo? Conte suas opiniões aí nos comentários pra gente conversar!

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