O iPhone X vale o preço que a Apple cobra?

A versão mais barata do iPhone X custa R$ 7.000 no Brasil, mas seu custo de produção é de apenas R$ 1.200. É o que confirma um estudo divulgado pela empresa IHS Markit.

Depois de desmontar completamente o dispositivo e pesquisar o valor de cada componente utilizado em sua construção, a empresa chegou ao custo total estimado de 370 dólares, onde $ 110 ficam no conjunto do display OLED, e apenas $ 17 vão para os sensores TrueDepth que compõem o tão badalado FaceID (reconhecimento de face) da Apple.

A câmera dupla traseira (outro recurso muito elogiado no modelo) custa apenas $ 35 para ser feita, enquanto o chassi/corpo de aço inoxidável, que ninguém dá muita atenção, custa a “bagatela” de $ 61.

Os $ 147 restantes são diluídos entre as demais partes que compõem a placa-mãe do smartphone, e se você quiser, pode conferir a lista completa de custos por componente clicando na imagem abaixo:

Tabela de custos de fabricação do iPhone X - Mobizoo

1 pra você, 2 pra mim

Segundo reportagem da Reuters, a cada iPhone X vendido, mais de 60% do valor cobrado pelo aparelho vai para o bolso da Apple. É de longe a maior margem de lucro já vista nesse mercado, e não é à toa que, mesmo vendendo menos dispositivos, a empresa consegue volta e meia bater a receita da gigante Samsung e seus 365 modelos de Galaxy (1 para cada dia do ano).

Eu particularmente acho este o celular mais experimental (e cafona) que a fabricante já lançou, e mesmo tendo gostado de algumas coisas em meu primeiro contato, nunca tiraria do meu bolso o valor de uma moto para levá-lo pra casa. Ainda mais conhecendo tantos outros modelos que cobram preços mais justos pelo que oferecem.

Data de validade

A Apple acaba de confirmar publicamente que diminui intencionalmente via software a velocidade de seus iPhones com o passar  do tempo, segundo ela por conta do desgaste natural da bateria.

O problema é que a medida só foi descoberta após um post no reddit expondo a situação de um iPhone 6S que teve seu desempenho dobrado após a troca da bateria.

Em decorrência desse silêncio da empresa sobre o assunto, muita gente foi levada a comprar um iPhone novo por conta da lentidão enfrentada em seus aparelhos “antigos”, quando na verdade só precivam trocar a bateria.

Eu sempre suspeitei que a empresa fizesse isso “debaixo dos panos”, e agora com essa confirmação, não vou ficar surpreso se vierem à tona outras práticas de obsolescência programada escondidas nos produtos da gigante de Cupertino.

A culpa é de quem compra?

A Apple já foi uma “religião”, mas hoje vive muito mais da reputação de grife do que das inovações de fato.

Ela sempre praticou margens altas em seus produtos, e certamente não mudará essa estratégia enquanto as pessoas continuarem comprando. Cabe a você responder a pergunta aí nos comentários: faz sentido enriquecer tanto uma empresa em troca de alguns prazeres tecnológicos, ou pior, em troca de status?

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