Opinião

Realidade virtual nos smartphones: futuro ou modinha?

A realidade virtual é um assunto que mexe com a imaginação das pessoas há décadas. Estima-se que as primeiras experiências precurssoras da tecnologia datam de meados do século passado.

A Realidade Virtual e seu longo caminho de fracassos

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Senta que lá vem história

Em 1962 surgiu o primeiro equipamento de imersão multisensorial – desenvolvido para revolucionar o cinema: o Sensorama permitia visão tridimensional, sensações com som estéreo, vibrações e aromas.

Este bizarro equipamento nunca chegou ao mercado, porém desenvolveu as bases para o que chamamos hoje de Cinema 4D.

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Se não fossem os parques da Disney, o cinema 4D teria caído no esquecimento.

Anos depois, dois pesquisadores com patrocínio da empresa Philco desenvolveram um capacete nomeado de Headsight, onde o usuário interagia com imagens projetas por uma câmera de tv.

Na época a tecnologia era chamada de “realismo artificial”.

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Que belezinha, hein? Parece um instrumento de tortura nazista.

A evolução da tecnologia da realidade virtual manteve-se no âmbito científico e militar norte americano até os 80 anos.

A primeira instituição que conseguiu reunir todos os elementos do que hoje conhecemos como óculos de realidade virtual foi a NASA. Foram eles também que incluíram uma luva como equipamento para e mapeamento e interação com o espaço.

Os anos passaram e muitas empresas de tecnologia continuavam tentando (sem muito sucesso) inovar o mercado do entretenimento com elementos da realidade virtual.

Nos anos 90 a empresa Philips lançou o Cybermaxx, sem sucesso.

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A Atari tentou logo depois com o Jaguar VR, e advinha: um desastre.

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Atari Jaguar VR era um óculos de Realidade Virtual para games

Até a Nintendo tentou emplacar um dispositivo de realidade virtual. O Virtual Boy era para ser um videogame imersivo, mas acabou se tornando um dos maiores fracassos da história.

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Nos anos 2000 com o boom do cinema 3D (já morreu) e dos dispositivos de captura de movimento (Wii, Kinect – já morreram também), o mercado voltou a especular sobre a realidade virtual e algumas novas ideias surgiram. Entre elas o famigerado Oculus Rift e sua capacidade de tornar nossos games mais “reais”.

Mas por que a realidade virtual nunca emplacou?

O maior desafio desta área é o “lapso de convicção”. Trata-se do conhecimento que temos de não estarmos ali imersos naquele mundo e ao mesmo tempo sentirmos que estamos. Oi?

Isso acontece pois o nosso cérebro não consegue reconhecer de forma harmoniosa o fato de estamos parados e sentirmos que estamos em movimento.

Outra grande barreira da tecnologia é o preço: para oferecer uma experiência de fato imersiva é necessário utilizar equipamentos ópticos, sensores e sistemas de som de altíssima qualidade. Aí já sabe, né? O preço ao consumidor vai nas alturas. Portanto, popularizar a tecnologia é também um grande desafio para as empresas envolvidas.

2016: seria esse o ano da Realidade Virtual?

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Há quase 2 anos estamos sendo bombardeados por uma série de notícias e anúncios sobre o futuro desta tecnologia, e parece que em 2016 teremos “a hora da verdade”.

Grandes empresas como Google, Sony e Samsung estão envolvidas, e segundo especialistas este será o ano da revolução da realidade virtual. Será?

Óculos que prometem emplacar vendas em 2016

VIVE: este é o dispositivo HTC em parceria com a Valve (maior loja de jogos virtuais do mundo). A pré-venda está marcada para o dia 29 desse mês.

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OCULUS RIFT: produzido pela Oculus VR (hoje parte do grupo Facebook) esgotou seu estoque em 14 minutos no lançamento de vendas e promete que começará o envio para 20 países em março.

The Oculus Rift headset is tested by attendees at the Eurogamer Expo at Earls Court in London.

PLAYSTATION VR: conhecido como “Project Morpheus” e agora repaginado, o dispositivo promete interações incríveis com os jogos da empresa japonesa.

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Realidade Virtual nos smartphones: agora vai?

Para tornar a tecnologia acessível, diversas fabricantes estão apostando na proposta dos óculos RV como acessórios para smartphones.

Neste modelo você encaixa seu smartphone dentro dos óculos e o conteúdo do aparelho é mostrado de forma imersiva – games, filmes e outras aplicações do celular rodam com 360º de visualização.

Já temos vários modelos desta categoria de dispositivo disponíveis no mercado; e vão desde caixas de papelão com lentes até pesadas máscaras hi-tech. Veja:

GEAR VR: lançado no final de 2015 os óculos da empresa Samsung são compatíveis com os celulares Galaxy Note 5, S6, S6 Edge. Dá uma olhada nesse review em vídeo feito por nosso amigo oxigenado:

TheatreMax: o smartphone Vibe K4 Note da Lenovo vem com o acessório de Realidade Virtual na caixa, e o software do celular é capaz de converter qualquer vídeo ou jogo para 3D imersivo. Quem já comprou o Vibe disponível no Brasil já deve ter percebido que ele também é compatível com a tecnologia. Observe:

Alcatel Idol 4S + Google Cardboard: a Alcatel Onetouch não podia ficar de fora da festa e preparou uma baita surpresa para seu mais novo lançamento: o novo smartphone da empresa virá numa caixa plástica que se transforma em óculos VR compatível com o padrão cardboard da Google, no melhor estilo transformers.

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Experiência da autora: Há 2 semanas atrás passeando pelo shopping encontro um estande de “experiência da realidade virtual”, como todo fã de tecnologia, não pude resistir, rs. Por 15 reais tive o  que acredito ser 2 minutos de sensações dentro da realidade virtual. Sentada em um protótipo de carrinho de montanha russa, usando óculos (não me lembro da marca) e fones super potentes (Razer), senti como se estivesse em uma montanha russa de verdade! Yeees, foi uma experiência muito mas muuuuito legal.

Facebook e Samsung: Mark Zuckerberg e a RV Social

Pois é, enquanto concluíamos este artigo eis que mais um movimento gigante acontece no mercado: a Samsung e o Facebook anunciam no Mobile World Congress (Barcelona) uma parceria para emplacar de vez a realidade virtual.

Visão do futuro ou presepada?
Visão do futuro ou presepada?

O líder do Facebook roubou a cena na conferência da Samsung, quando apresentou a tecnologia que trará o streaming de vídeo em 360 graus para o Gear VR, óculos de realidade virtual da Samsung desenvolvido em parceria com a Oculus – empresa criadora do Oculus Rift, que foi comprada pelo Facebook em 2014.

Além disso, Mark afirmou que está com um time de desenvolvimento dedicado em projetar as bases para a interação social dentro da realidade virtual.

Se a Samsung quer que os consumidores abracem a realidade virtual, nada mais lógico do que se associar ao principal meio de interação da atualidade: o Facebook.

Será que isso tem chance de dar certo? Vocês já estiveram em alguma experiência RV? Compartilhe a sua opinião, será que a moda pega ou vai morrer na praia?