Opinião

Opinião: smartphones top de linha morrerão em breve

Os smartphones top de linha, aqueles feitos para estarem no topo (em termos de tecnologia e de preço), estão passando por apuros nos últimos tempos.

Este fenômeno de mercado vem sendo debatido amplamente por especialistas de todo mundo, e comprovado em pesquisas realizadas pelos principais sites de tecnologia.

Neste artigo apresento alguns pontos, que conectados desenham um cenário não muito promissor para os smartphones mais caros do mercado.

Aparelhos intermediários estão cada vez melhores

As maiores fabricantes (até mesmo a Apple) perceberam o quão importante é a fatia de mercado ocupada pelos smartphones intermediários, principalmente em países em crescimento. Por isso investiram pesado para oferecerem o melhor desempenho para quem não pode (ou não quer) gastar mais de R$1.000 em um celular.

Se o Android hoje domina mais de 80% do mercado mundial, deve isso principalmente aos aparelhos mais baratos. Não é à toa que o Google está trabalhando no projeto Android One como um movimento ainda mais ambicioso do sistema em prol dos smartphones com melhor custo-benefício.

Graças ao Moto G, o mundo pôde finalmente ter acesso à uma experiência completa e de qualidade em um Android que custa pouco. Isso estimulou ainda mais o mercado à deixar os top um pouco de lado e mirar todas as suas armas em smartphones intermediários de qualidade.

Apesar de ser mais caro que os Androids da mesma categoria, o iPhone 5C é o escolhido da Apple para ser o smart de entrada da empresa. Ou seja, mesmo uma marca de “produtos de luxo” abraçou essa causa.

xiaomi redmi 2
Xiaomi Redmi 2: hoje em dia é possível comprar um smartphone maravilhoso com apenas 500 reais.

Quase não há inovação nos top

Se analisarmos detalhadamente as especificações do LG G3 e do LG G4 vemos que quase não há melhorias que justifiquem o upgrade. O mesmo acontece com os Galaxies S5 e S6 da Samsung. A maioria das tecnologias presentes nos lançamentos deste ano já estavam presentes nos modelos do ano passado.

O aumento na resolução da tela frequentemente é utilizado como argumento de compra para um novo modelo, porém o olho humano simplesmente não consegue mais perceber melhoria de imagem em telas com densidade de pixels acima de 300 dpi.

Aparelhos recentes como o LG G4 já contam com telas de definição acima de 500 dpi, o que acaba sendo um desperdício de potência, já que, quanto maior a densidade de pixels das imagens, maior o consumo de processador, memória, e consequentemente de bateria. Tudo isso sem ganho algum para o usuário final.

Para piorar, a Samsung ainda removeu nessa última geração de tops de linha recursos muito apreciados por seus clientes mais fiéis, como bateria removível e entrada para cartão de memória.

Os preços estão cada vez mais absurdos

Antigamente os flagships (tops de linha) de cada fabricante eram lançados com média de preço na casa dos R$ 1.500. Depois pularam para R$ 2.000 em 2011, para R$ 2.500 em 2012, R$ 3.000 em 2014 e finalmente R$ 4.000 em 2015.

Com a crise econômica e política que atormenta o país, esse certamente não é um bom momento para se gastar R$ 4 mil em um aparelho.

Aparelhos antigos continuam ótimos

O mercado de smartphones chegou no mesmo ponto que os PCs chegaram poucos anos atrás, onde o aumento de memória RAM, processadores com muitos bits e vários núcleos, e telas de resolução altíssima já não são mais estímulos suficientes para o upgrade. Pelo menos não para a grande maioria dos consumidores (apenas gamers hardcore e geeks).

Eu mesmo sou um ótimo exemplo disso: meu Nexus 4, um aparelho com mais de 2 anos continua funcionando muito bem, obrigado.

Um amigo meu que possui um Galaxy S4 também não vê motivo para comprar o novo top da Samsung: ele simplesmente comprou uma bateria nova para o aparelho, que voltou a funcionar tão bem quanto no momento que saiu da caixa.

Um novo momento para o mercado

A desaceleração nas vendas de smartphones nos maiores mercados do mundo é um reflexo de como o olhar dos consumidores está mudando: upgrades anuais de tecnologia já não fazem tanto sentido, quando o que temos em mãos já é muito bom.

Além disso há uma saturação natural do mercado nos países mais ricos após anos de muitos lançamentos e incremento nas tecnologias. Sem ter mais cartas nas mangas para impressionar os consumidores mais exigentes, o jeito é correr atrás dos mercados inexplorados, das economias em crescimento, dos gadgets mais acessíveis às massas.

Cada vez mais pessoas começam à se conscientizar sobre as mazelas da obsolecência programada, das atualizações de software maquiavélicas que detonam aparelhos mais antigos (te obrigando a comprar um novo), e das artimanhas de marketing que as fabricantes usam para convencer seus clientes à trocarem de smartphone todos os anos.

É um momento de mudança de comportamento geral, que certamente forçará o mercado a se reajustar para os próximos anos.

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