Opinião

O Moto Z está chegando, mas será que ele faz sentido?

A Motorola acabou de iniciar a pré-venda no mercado estrangeiro de seus novos smartphones top de linha; o Moto Z e Moto Z Force. Mas infelizmente por aqui eles só chegam depois das Olimpíadas (A Samsung patrocina o evento, então já sabe, né?).

Enquanto os novos modelos não chegam nas lojas brasileiras, temos tempo para uma reflexão sobre o custo-benefício destes aparelhos modulares e as estratégias da Lenovo (que é a atual dona da Motorola). Puxa uma cadeira e senta que lá vem história!

Desde que foram apresentados pela primeira vez, os novos Moto Z geraram polêmica: e o Moto X, morreu? por quê essa lombada na câmera? essa modularidade faz sentido? cadê o conector de fones? e o preço?

Se olharmos apenas as especificações, os novos smartphones estão em pé de igualdade com os outros tops da atualidade: tela Quad HD, Snapdragon 820, 4GB de RAM, câmera de 13MP ou 21MP com abertura de f/1.8 e estabilizador ótico de imagem. Mas na prática algumas decisões estratégicas da Lenovo/Motorola implementadas nestes aparelhos podem desagradar boa parte do público.

Como você deve ter visto no nosso outro artigo, a primeira mancada da fabricante foi anunciar que o Moto Z nacional será ligeiramente mais fraco que o modelo gringo. Acho que eu nem preciso dizer que isso gerou um mal estar danado.

Mas não é só isso: mesmo a principal característica e diferencial dos Moto Z vem sendo alvo de discussões. O design modular é de fato algo que as pessoas irão aproveitar? Ou isso será apenas um engodo tecnológico?

Módulos: inovação ou brinquedo geek?

A Motorola finalmente colocou em prática seus anos de desenvolvimento de aparelhos modulares no Projeto Ara. Graças à essa expertise adquirida, agora os novos Moto Z podem contar com módulos de expansão – os Moto Mods -, anexados em seus corpinhos. Através desses módulos você poderá anexar no celular um amplificador de som, uma bateria extra, uma câmera profissional e até um projetor.

moto mods

E não para por aí: a Lenovo decidiu abrir a API dos Moto Mods, o que permite que qualquer pessoa pode desenvolver um novo Moto Mod compatível com o Moto Z em casa, utilizando as interfaces baseadas em Raspberry Pi.

A empresa ainda garante que o padrão de conexão será mantido por gerações, e que assim você poderá trocar de telefone no futuro e reutilizar os módulos já adquiridos.

O maior problema dos módulos que podem ser anexados ao Moto Z é o custo desse benefício. Os aparelhos já não são baratos mesmo sem os add-ons: 624 dólares para o Moto Z e 720 dólares para o Moto Z Force (o que deve dar uns R$ 3.000 e R$ 3.500 por aqui) – grana suficiente para comprar um Galaxy S7 ou um top chinês com direito à troco.

A coisa fica ainda mais feia se falarmos dos preços dos Modso Power Pack (expansão de bateria) custará aproximadamente R$ 300 e tem apenas 2.200 mAh de capacidade, ou seja, não é sequer suficiente para fazer uma recarga completa no Moto Z. E ele faz ainda menos sentido quando você percebe que o carregador que vêm com o aparelho completa a carga da bateria em apenas 30 minutos.

Se você fizer questão de carga extra para o seu aparelho, dá para encontrar um carregador portátil (Power Bank) por volta de R$ 100 no mercado, e com capacidade de 10.000 mAh!

E a história se repete para o Mod de expansão de áudio JBL: ele vai custar o mesmo que uma JBL Charge 2, que por ser Bluetooth pode ser usada por qualquer aparelho, e ainda possui mais potência sonora.

Isso tudo nos faz pensar: afinal, os Mods do Moto Z são uma carta na manga ou um tiro no pé? É verdade que modularidade tem potencial, mas talvez a estratégia de implementação utilizada pela fabricante não seja a mais adequada no momento.

Um longo caminho para a Lenovo

A impressão final que fica é que quando falamos de smartphones modulares, ainda estamos falando de aparelhos-conceito, tipo aqueles carros ultra-futuristas que são apresentados apenas para mostrar novas tecnologias, mas que de fato ninguém vai dirigir.

É verdade que a implementação da tecnologia feita pela Lenovo/Motorola é bem superior à que vimos com a LG e seu pequeno Frankenstein, o G5. Ainda assim isso não livra o Moto Z de se tornar um dispositivo de nicho, longe de conquistar as massas.

Para chegar ao topo a Motorola vai precisar ir além da inovação. Por mais que seus dispositivos sejam altamente competitivos, o prestígio é fator chave na consideração dos consumidores de smartphones high-end. Por isso ela terá um longo caminho para dar continuidade às inovações e demonstrar excelência nos testes do seus aparelhos, para ir convencendo as massas à optarem por um Moto Z ao invés de um Galaxy S7 Edge ou mesmo um iPhone 6S, mesmo que seja em suas futuras gerações.

Com informações de Android Authority e The Verge.