Opinião

Governo acaba com a festa: preço de celular sobe em todo país

Não sei se você já percebeu, mas foi só o ano virar que os preço de celular disparou em todo Brasil.

Pois é, acabou-se o que era doce. Agora para comprar aquele celular novo que você já está namorando há um tempão, você terá que desembolsar pelo menos R$ 200 a mais.

Os preços aumentaram depois que o nosso “querido” governo acabou com as isenções de impostos sobre as fabricantes, a chamada “Lei do bem”. Resumindo: mais impostos em cima de quem produz = custo maior repassado para o consumidor.

O mais legal dessa verdadeira “facada” no mercado nacional de tecnologia, é que o fim das isenções só atinge aparelhos que custam até R$ 1.500, ou seja, smartphones de entrada, intermediários e avançados acessíveis, aqueles mais consumidos pelo povão.

Mais uma vez os mais pobres são os mais prejudicados. Nada muda para os afortunados que compram iPhones de ouro.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Humberto Barbato, demonstrou indignação em sua nota sobre a medida:

Dia após dia, temos sido surpreendidos por diferentes tentativas do governo em cada vez mais onerar a produção, tendo como justificativa alimentar sua sanha por arrecadação, embora pouco faça para controlar o seus gastos correntes de forma efetiva.

Com a publicação da MP 690 elimina os efeitos do Programa de Inclusão Digital contido na Lei do Bem, que isenta de PIS/Cofins as vendas no varejo ao consumidor de tablets, computadores e smartphones, o governo opta pela volta da informalidade na economia, com a diminuição de empregos formais e da arrecadação de outros impostos na cadeia.

Além disso, o grande prejudicado será o consumidor, para quem a isenção do PIS/Cofins é totalmente repassada, através da redução dos preços dos produtos. A indústria, por sua vez, continuou recolhendo o tributo.

Como é de conhecimento público, a Lei do Bem foi uma medida determinante para reduzir o mercado cinza de equipamentos de informática. Um ano antes da implementação da medida, o panorama do mercado de computadores pessoais era alarmante. Em 2004, os montadores ilegais abocanhavam 73% das vendas no país. A partir da Lei do Bem, verificou-se uma acentuada diminuição na participação dos computadores comercializados no mercado cinza, que hoje é inferior a 20%.

Além do combate ao mercado informal, a Lei do Bem também tem sido essencial para o programa de inclusão digital do governo, que, embora bem sucedido até aqui, ainda tem muito a avançar, principalmente, considerando todas as oportunidades que surgem no horizonte próximo, com a internet das coisas, onde a tecnologia estará cada vez mais presente na vida de toda a sociedade.

Os números são incontestes e não deixam dúvidas de que os brasileiros estão cada vez mais conectados. Segundo a Anatel, o Brasil encerrou 2014 com 280 milhões de linhas ativas em telefonia móvel. O número de computadores em uso triplicou em sete anos. Era de 50 milhões de aparelhos em 2008, devendo atingir 152 milhões no final de 2015.

Os efeitos desta política pública para todo o conjunto da economia são inestimáveis e devem ser considerados pelo Congresso Nacional ao apreciar a MP 690, corrigindo a proposta apresentada pelo governo, pois acabar com um importante estímulo como a Lei do Bem é condenar o país ao atraso e impedir o seu desenvolvimento no médio e longo prazo.

Como Humberto bem disse, esta é uma dura realidade de retrocesso, que nos coloca de volta ao caminho atraso do atraso tecnológico do “terceiromundismo”.

Para você ver a verdade nua e crua do estrago que a medida irá causar, fizemos uma lista que mostra os aparelhos mais vendidos do país em 2015 e seus preços antes e depois do aumento. Chora:

Samsung Galaxy J2
Antes: R$ 499 | Depois: R$ 699

Samsung Galaxy J5
Antes: R$ 699 | Depois: R$ 899

Motorola Moto G 3ªa Geração Colors HDTV 16 GB
Antes: R$ 899 | Depois: R$ 1.099

Motorola Moto X Play 32 GB
Antes: R$ 1.299 | Depois: R$ 1.499

Por sorte alguns aparelhos continuam com o mesmo preço do ano passado, como é o caso do Xiaomi Redmi 2 (R$ 649) e do Lenovo Vibe (R$ 1.169), que provavelmente escaparam da lista por se tratarem de “estrangeiros”.

Outros aparelhos estão recebendo aumento gradualmente, na medida em que seus estoques antigos vão acabando. Portanto, se você está de olho em algum desses, compre logo, pois seu preço aumentará em breve.