Opinião

Google vende Motorola para a Lenovo: veja o que isso muda no mercado de smartphones

A briga entre as fabricantes de smartphones promete ser bem quente em 2014: com uma boa “freada” da Samsung, a Nokia sob comando da Microsoft, a Motorola promovendo uma grande reviravolta na categoria de intermediários com seu Moto G e as demais fabricantes investindo muito em inovação (veja o smartphone flexível da LG), o cenário é mais do que favorável para uma bela (e saudável) competição, num dos mercados mais importantes de tecnologia da atualidade.

Este cenário certamente irá sofrer um grande impacto com o anúncio (já confirmado pelo Google) da venda da Motorola para a empresa chinesa Lenovo. Explicaremos um pouco melhor essa história nos próximos parágrafos.

Uma pequena retrospectiva

É sabido que o grande interesse do Google ao comprar a Motorola em 2012 (por 12.5 bilhões de dólares) era a vasta lista de patentes que a empresa possuía. O gigante das buscas nunca teve a real pretensão de se aventurar na fabricação de aparelhos.

Mesmo assim, com a Motorola nas mãos, o Google desenvolveu e lançou dois aparelhos incríveis, e consequentemente muito bem sucedidos: o Moto X e o Moto G. Esta foi uma estratégia muito eficaz de aumentar o valor da marca que acabara de adquirir. A Motorola que já foi uma das maiores fabricantes de celulares do mundo, sofria nos últimos anos com a hegemonia Apple-Samsung. Não há dúvidas que o Google injetou uma boa dose de ânimo na fabricante.

A venda

A Lenovo e o Google têm grandes expectativas para a aquisição: o CEO da Motorola, Dennis Woodside, afirma que, com a compra, a empresa irá finalmente obter o rápido crescimento que almeja. Com os recentes lançamentos (Moto X e Moto G), a fabricante está em grande fase, e a experiência da Lenovo em hardware, aliada à seu alcance global só irá somar à este crescimento.

O negócio fechado em mais de 2 bilhões de dólares conta com alguns detalhes interessantes: o Google permanecerá com a maior parte das patentes adquiridas em 2012 e a divisão de projetos em tecnologias avançadas da Motorola.

Apesar de alguns bons resultados alcançados, todo o período de controle da Motorola foi uma grande dor de cabeça para o Google. Foram meses e meses acumulando perdas financeiras com a divisão de aparelhos, e pra piorar, as patentes que o Google adquiriu na compra não serviram pra muita coisa.

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Depois de conseguir arrumar a casa, é hora de passar a bola para quem entende do jogo; a Lenovo é uma gigante que entre outras coisas, foi a responsável pelo retorno triunfal da linha Think Pad de notebooks, comprada da IBM em 2005. A chinesa já provou que entende de hardware, e quer, com a compra da Motorola, ampliar sua atuação no mercado americano.

Uma oportunidade de ouro

Apesar do ótimo crescimento obtido em 2013, a Motorola ainda não tem forças para brigar de igual-pra-igual com as duas grandes líderes do mercado de smartphones – Apple e Samsung. E quem achou que o Google iria bater de frente com a Samsung em 2014, usando a Motorola, se lascou.

A Samsung possui quase 60% do mercado de smartphones Android. Isso é mais que suficiente para tornar o nome Galaxy sinônimo de Android.

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Fonte: Opera Mediaworks – Ago/2013

Mesmo com toda essa dominância, alguns movimentos da coreana podem indicar uma oportunidade para as demais fabricantes:

  • A Samsung já confirmou que irá diminuir sua verba de marketing para 2014;
  • O crescimento em número de vendas de smartphones da empresa já não é tão grande e mostrou sinais de estagnação no final de 2013;
  • O Galaxy S4 não teve tanto impacto quanto o S3;
  • Depois de três anos de sucesso consecutivos, é natural que a Samsung tenha alguma queda em 2014;
  • No segmento dos Androids intermediários, a Motorola provou que é possível “roubar” vendas dos Galaxies com o seu Moto G, que conta com hardware de qualidade e preço baixo.

Aproveitar ou não essa oportunidade irá depender muito das estratégias de cada empresa, e, no caso da Motorola, parece que a empresa já está na direção certa – basta a Lenovo manter os planos iniciados pelo Google, ampliando sua atuação em mercados estratégicos, como o brasileiro.

Nos mercados emergentes, muita gente ainda está saindo dos celulares comuns ou blackberries, e este é um grande mercado aberto para quem oferecer uma boa experiência nos smartphones de entrada, algo que a Samsung já não consegue há algum tempo.

Fonte da imagem de destaque: The Verge