Opinião

Entenda porque o crescimento do Windows Phone é importante para todos nós

O sistema operacional para smartphones fruto da parceria Microsoft-Nokia, tornou-se o segundo mais vendido no Brasil. Sim, os Windows Phones agora vendem mais que os iPhones em terras tupiniquins.

Nos próximos parágrafos vamos ver como tudo isso aconteceu, e entender porque isso é importante para nós consumidores e apaixonados por tecnologia móvel.

Procurando o oceano azul

Lá no longínquo ano de 2009 a Nokia já havia perdido muito mercado para os iPhones, e começava a perder também para os smartphones Android (especialmente da Samsung). A Microsoft por sua vez, que sempre foi uma gigante nos softwares para desktops, se tornava irrelevante no mercado móvel, já que o Windows Mobile não passava de um sistema ultrapassado perto dos concorrentes da Apple e do Google.

Percebendo o cenário nebuloso se desenhando, as duas empresas se unem para criar um novo sistema móvel. Toda a experiência da Nokia no desenvolvimento de hardwares de qualidade seriam somados à uma proposta arrojada de software da Microsoft, diferente de tudo que já se conhecia em sistemas móveis. Nascia assim a linha Lumia com Windows Phone.

Essa era a única saída: já era tarde para concorrer com algo parecido com Android e iOS. Só com um produto totalmente inovador as duas conseguiriam sair do ostracismo. E sairam.

O primeiro Lumia era lindo (800), desde seu corpo de policarbonato colorido até as telas de sua interface – se tratava de um produto de design ousado e sofisticado.

O Windows Phone conseguiu chamar a atenção da imprensa e do grande público, mas só isso não seria suficiente para conquistar mercado. O primeiro ano de vida do sistema foi difícil, com baixas vendas e assistindo ao crescimento absurdo da Samsung no segmento.

A estratégia certa na hora certa

O mercado americano, o mais forte do mundo, é dominado há algum tempo pelos iPhones. Mesmo a Samsung, atual líder mundial no segmento, têm dificuldades para fazer seus smartphones emplacarem por lá. Seria quase impossível para um sistema novato abocanhar alguma fatia de mercado da Apple.

Na Europa a mesma dificuldade: os Androids já dominam o velho continente quando o Windows Phone entrou na briga.

Mas em 2012, a Microsoft, que não é boba nem nada, voltou seus olhos (e os da Nokia) totalmente para os países em desenvolvimento (também conhecidos como emergentes), pois neles ainda havia muito espaço para crescimento do mercado: nesses países muita gente ainda não havia comprado seu primeiro smartphone.

A estratégia era oferecer à estes mercados aparelhos com hardware confiável, preços acessíveis e ótima experiência de uso. Desta forma, quem nunca teve um smartphone poderia entrar neste mundo através de um Windows Phone. No Brasil, a Nokia e a Microsoft contariam ainda com o apoio das operadoras e um empurrãozinho da lei do bem.

Quase 2 anos depois, os números mostram que o plano deu certo, pelo menos por aqui: os Lumias já são mais vendidos que os iPhones, e a tendência é que eles continuem ampliando esta vantagem durante o ano.

Alguns outros fatores ajudaram a Nokia-Microsoft a conquistar esse feito. Vamos à eles:

  • iPhones são extremamente caros no Brasil e demais países emergentes;
  • Androids baratos são, em sua maioria, Androids ruins. Os Lumias baratos são extremamente competentes;
  • A linha Lumia já conta com uma variedade enorme de aparelhos, atendendo desta forma à todos os tipos de consumidores;
  • A Samsung vem pecando muito na atualização de seus aparelhos, diminuindo assim a fidelidade de seu público;
  • As desenvolvedoras de aplicativos finalmente começaram a dar a devida atenção ao sistema: quase todos os aplicativos e games importantes já estão disponíveis para Windows Phone.

E por que isso tudo é importante?

Seja você um amante da Apple, ou um viciado no sistema do Google, há de concordar: é muito importante ter opções. A concorrência saudável entre aparelhos e sistemas deixa o mercado mais interessante tanto para indústria, quanto para os consumidores.

Hoje a Nokia oferece ótimo desempenho, bom acabamento e tela decente com o seu Lumia 520, um smartphone que chega a custar apenas R$ 300 em algumas promoções. Algo impensável há algum tempo entre os Androids de entrada. Grande parte do mérito é da Microsoft, que conseguiu desenvolver um sistema que funciona muito bem mesmo em aparelhos mais simples.

E isso se repete em outras categorias, onde os Lumias, da mesma forma, oferecem ótimo custo-benefício frente à concorrência. Veja o Lumia 625: por apenas R$ 600 você leva um aparelho com tela grande e 4G.

Com preço e desempenho, cada vez mais pessoas passam à usar os Lumias. Com mais pessoas indo para o Windows Phone, as fabricantes de Android se vêem na obrigação de oferecerem produtos melhores, com melhores preços. Quem ganha somos nós.

O próprio Moto G é fruto disso. A Motorola/Google se empenharam em lançar um Android barato e competente, com foco nos mercados emergentes.

O flat design usado na interface do Windows Phone tornou-se tendência, e hoje em dia já o padrão adotado tanto no iOS quanto no Android Puro. Até a Samsung, que sempre insistiu em modificar o Android de seus Galaxies com um montão de brilhos, sombras e volumes, está voltando atrás e pegando a onda que a Microsoft criou.

Resumindo, o Windows Phone trouxe, de diversas formas, novos ventos para o mercado Mobile. E agora que a Microsoft é dona da Nokia, a plataforma tem tudo para crescer ainda mais, e quem sabe até incomodar os donos da bola.