Opinião

Carros Autônomos: o que o futuro reserva para nós?

Atualmente vários dilemas que estão esquentando o debate em torno da tecnologia dos carros autônomos. Mas mesmo assim as fabricantes vêm comprovando que são aptas a desenvolver tecnologias capazes de superar cada uma destas questões.

Enquanto requisitos técnicos são solucionados, as pessoas continuam relutantes se os carros auto-digiridos serão capazes de andarem por aí sem causar nenhum problema, se esquecendo de que o maior problema do trânsito sempre foram exatamente as pessoas.

Isso nos leva ao seguinte questionamento:

Os robôs estão quase prontos para nós, mas será que nós estamos prontos para os robôs?

Uma pesquisa recente sobre os dilemas éticos envolvidos entre a tecnologia e as pessoas, publicado pela revista Science, revela que em uma situação em que for inevitável que haja, no mínimo, uma vítima fatal, os humanos consideram correto que o carro seja programado para evitar o maior número de mortes possível.

Tudo bem até aí. Só que para alcançar isso, o carro inteligente pode considerar que para salvar a vida de dois pedestres em uma colisão, ele precisa sacrificar a vida do próprio motorista, jogando o carro de cima de uma ponte ou penhasco, por exemplo.

E aí que está, o mesmo grupo de humanos que respondeu à primeira pergunta, também alegou que não gostaria de adquirir um carro que se comportasse de tal maneira!

Isso é uma pena, e é um grande problema que precisamos resolver. Até porque, dados dos Estados Unidos revelam que 90% das mortes de trânsito de lá são ocasionadas exatamente por falhas humanas. A Tesla – principal fabricante de carros autônomos do país – garante que a probabilidade de um condutor se acidentar em seus carros é 50% menor se o modo AutoPilot estiver ligado.

Será que estamos mesmo preparados para assumir os riscos das nossas próprias decisões?

Em Julho de 2016 morreu a primeira pessoa dirigindo um Tesla Model S no modo AutoPilot. O condutor não era qualquer um – Joshua Brown era um fã e entusiasta da marca. Ele contribuia ativamente para a comunidade de entusiastas de veículos autônomos e semiautônomos com várias ideias, comentários e ja chegou a publicar vários vídeos sobre o funcionamento da tecnologia.

carros autonomos modo autopilot tesla s

O veículo que Joshua dirigia é considerado “autônomo na maior parte do tempo” exatamente porque é recomendado para estes modelos “o motorista esteja o tempo todo com as mão no volante e pronto para assumir a direção à qualquer momento”, como alerta o Model S a cada vez que se aciona o AutoPilot. Apesar disso, há quem diga que Joshua estava assistindo à um filme na central de mídia do veículo no momento em que ele se acidentou (um caminhão, que deveria parar, atravessou fazendo uma conversão).

Chegamos à 3 conclusões depois de ter em vista estes fatos:

  • Joshua provavelmente poderia evitar a colisão se estivesse em um carro tradicional – em circunstâncias normais ele teria de estar atento à estrada e perceberia que a velocidade do caminhão que chegava não era compatível com quem iria realizar uma parada obrigatória.
  • O Model S deveria através de seus sensores chegar à mesma conclusão acima e parar o veículo para evitar a colisão
  • Tanto em um carro comum quanto um semiautônomo, o motorista poderia provavelmente reduzir ou catalizar as chances de o acidente ocorrer, dependendo se a direção estava sendo feita com a devida atenção ou não.
Cruzamento fatal nos EUA

A Volvo também trabalha desenvolvendo tecnologia similar. Mas para um dos engenheiros responsáveis por esse trabalho pela Volvo,  “é irrealista esperar que o motorista vá se comportar como recomendado pelo sistema (AutoPilot)” exatamente porque o próprio sistema “passa a impressão de ser muito mais capaz do que ele realmente é.” Em outras palavras, o alerta que o AutoPilot dá ao ser ativado, para que o motorista fique atento e com as mãos no volante pronto para assumir, para com os avisos de nossas mães para não subir no pé de goiaba porque podemos não é seguro…  podemos cair e nos machucar.

Com isso, chegamos a mais uma triste conclusão – da mesma forma que não ouvimos nossos pais quando crianças,  talvez não estejamos maduros o suficiente para lidar com a tecnologia que está preparada para nós.