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Não está sendo fácil: Sony também abandona produção de smartphones no Brasil

É garotada, não está fácil para ninguém: é Apple em queda preocupante, Lenovo e LG lançando versões econômicas de seus tops por aqui, e fabricantes importantes como Xiaomi e Microsoft dando adeus ao Brasil. Agora chegou a vez da Sony levar o selo “não está sendo fácil” por anunciar que irá parar com a produção de smartphones no país.

Já está claro que o cenário atual não está parecendo tranquilo, nem muito menos favorável para a produção nacional de smartphones, já que em poucos meses duas empresas suspenderam a produção dos seus smartphones no país e voltaram a importar seus dispositivos das fábricas gringas.

A pergunta que surge é: como fica o consumidor brasileiro no meio disso tudo?

De novo: os impostos

A empresa japonesa Sony anunciou na semana passada que não irá mais produzir smartphones no Brasil. Apesar de não especificar as razões da decisão, em nota a empresa cita a suspensão da Lei do Bem, que garantia isenção de alguns impostos a aparelhos de até R$ 1500 fabricados no país, além da já conhecida complexidade tributária.

A empresa comunicou também que sua estratégia vem sendo a mesma desde o final do ano passado, e que os modelos Xperia Z5 e Xperia Z5 Premium, lançados em março desse ano, já são importados, assim como os lançamentos Xperia X e Xperia XA também serão. E diz ainda que, a marca já iniciou o pré-venda dos modelos X e XA, que estão sendo lançados mundialmente neste mês.

Sony Xperia X

Da mesma forma, há pouco mais de um mês, a chinesa Xiaomi optou por não produzir novos lançamentos no país devido às mudanças nas regras de fabricação e tributação para vendas via e-commerce no final do ano passado. As ditas mudanças, além do fim da Lei do Bem, referem-se à nova forma de partilha do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) entre os estados, que afetou principalmente as empresas de comércio eletrônico, e a Xiaomi vendia seus celulares somente pela internet.

Produções foram para Tailândia e China

Segundo a diretora de marketing da Sony, Ana Peretti, o que pesou mesmo na decisão foi a tentativa de tornar a distribuição mais flexível, e explica “Quando a gente fabrica aqui, o tempo para eu reagir à demanda aumenta. Por exemplo, demora mais para aumentar minha oferta do que quando ela é importada”.

Até a chegada dos modelos Xperia Z5 e Z5 Premium, os celulares eram fabricados no Brasil de forma terceirizada pela Foxconn, em Indaiatuba (SP), e Arima, em Jundiaí (SP). A produção agora foi direcionada para fora do país. O Xperia X é fabricado na Sony da Tailândia e o Xperia XA continua sendo montado pela Foxconn, na China.

foxconn sony

Peretti diz que o foco da Sony está nos dispositivos mais caros, já que a faixa dos aparelhos acima de R$ 3 mil é a segunda em números de vendas no Brasil. De acordo com os levantamentos da consultoria de tecnologia IDC, que registrou um aumento de 101% comparado ao mesmo trimestre de 2015. Em terceiro lugar estão as vendas de smartphones na faixa de preço entre R$ 1.600 e R$ 2.000, que tiveram aumento de 50% no mesmo período.

Público vê com estranhamento

Apesar do foco em dispositivos mais caros como o Xperia X que custará R$ 3.800 e o XA que sairá por R$ 1.800, a Sony muda de estratégia no momento em que o brasileiro compra mais smartphones nacionais. Dados mostram que em 2015, 91,4% das unidades vendidas foram feitas aqui no Brasil e de uma forma geral os brasileiros estão dispostos a pagar mais caro pelos dispositivos.

De qualquer modo é inegável que a crise política e econômica do país está afetando em cheio toda a indústria e comércio nacional. E é necessário fazer uma certa ginástica mental em cima dos impostos e das logísticas para conseguir enxergar com clareza o panorama atual do mercado de smartphones, para se conseguir ter um balanço entre os prós e contras da produção interna e da importação.

Analisando a repercussão da notícia, percebe-se que o público recebeu o fato com certa decepção e estranheza. Os decepcionados amargam o fim das esperanças em ter um top de uma marca que já teve dias melhores. Já a estranheza atribuiu a decisão à pouca popularidade e aceitação dos smartphones da marca, além da elevação dos preços e das temperaturas das baterias de seus dispositivos. E comentários mais gerais e esperançosos garantem que a força da Sony ainda é o PlayStation.

yudi sony presteixu
Nós também estamos tristes, Yudi.

E você leitor(a), quais suas expectativas quanto aos smartphones da Sony? Deixe seu comentário.