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Facebook entra em guerra contra os bloqueadores de anúncios

Na semana passada o Facebook declarou abertamente que estava entrando numa verdadeira guerra contra os bloqueadores de anúncios, os chamados AdBlockers. E para isso Mark e sua turma anunciaram que iriam implementar uma série de mudanças no código da rede social.

Estes softwares ou plugins prometem um mundo de proteção ao usuário, mas criam prejuízos enormes para sites que dependem de anúncios para sobreviver. E, obviamente, isso o “face” não poderia tolerar.

Vamos entender essa história nos próximos parágrafos.

Por que os anúncios existem?

Desde os primórdios os anúncios são a principal fonte de receita da maioria dos sites da Internet. E a explicação é simples: audiência gera valor.

Todo site precisa de dinheiro para se manter vivo, e, para isso, exibe anúncios que são relevantes para o seu público. Os visitantes clicam no anúncio, e cada clique gera um trocado para o site.

Para que só sejam exibidos anúncios relevantes para os visitantes, os sites utilizam uma série de recursos tecnológicos para obter informações de seus usuários. Idade, local, interesses, e até o histórico de navegação são utilizados para prever o que cada visitante gostaria de ver, aumentando as chances do clique.

É claro que existem outros modelos de negócio, como os serviços que utilizam assinaturas para se manter, como é o caso da Netflix e de muitos sites pornôs.

E há também os que oferecem as 2 modalidades, como o Spotify. Nele você pode pagar a assinatura que oferece streaming de músicas sem restrições, ou ouvir tudo de graça, com restrições e muitas propagandas entre as faixas.

“Se você não está pagando por um produto significa que o produto é você”

Essa abordagem foi levantada pela primeira vez no MetaFilter e se tornou uma máxima, sendo absorvida pelo mundo todo, inclusive em artigos científicos.

Fato é que estes são os modelos mais viáveis para manter um serviço. Apenas quando uma empresa tem por sua ideologia não comprometer a experiência do usuário que ela abre mão de uma dessas opções. São raras essas exeções: O Google por exemplo mantém diversos serviços que são gratuitos do início ao fim, como o Google+ , o Google Drive, ou Maps. Mas ainda assim, isso não significa que você não paga de alguma forma: os dados de suas atividades nestes serviços podem ser utilizados por outros serviços do Google que exibem anúncios, como a pesquisa e o YouTube. E Por falar em YouTube, que é um dos carros chefes do Google, o serviço passa constantemente por diversas disputas e é acionado judicialmente com certa frequência por alegações de infração sobre direitos autorais. A Google lançou então um modelo por assinatura, o YouTube Red. Ele trás benefícios em relação ao YouTube normal e recentemente estreou fora dos EUA, na Austrália  podendo chegar no Brasil em um futuro próximo.

Por que o Facebook precisa de anúncios

Quanto menos relevante o site, menor é o valor que o anunciante estará disposto a pagar para inserir uma propaganda, então o proprietário vai precisar de um volume maior de anúncios para gerar receita.

Mas o Facebook não é um site exatamente irrelevante. Na verdade ele é o segundo site de maior acessos unícos na internet (perde apenas para o Google) e pode se manter uma quantidade miníma de anúncios sem prejudicar a experiência do usuário. A plataforma não oferece uma plano de assinaturas. Com um modelo gratuito, os anúncios geram a receita que o Facebook precisa para se manter. E o que acontece quando um usuário opita por não exibir anúncios é que os anunciantes podem parar de comprar os espaços de anúncios do Facebook, e assim a rede social fica sem receita.

Sabendo disto, o Facebook decidiu fazer o que for possível para que os anúncios não prejudiquem a experiência do usuário na rede social, mas ao mesmo fará todos os esforços para não deixar mais que os AdBlockers funcionem no Facebook, declarando guerra aos bloqueadores de anúncios:

“Quando são bem feitos e relevantes, anúncios podem ser úteis, nos ajudando a encontrar novos produtos e serviços e nos introduzindo a novas experiências – como um anúncio que diz que a sua banda preferida vai visitar a sua cidade, ou uma promoção de uma companhia aérea para uma viagem de férias,” disse Bosworth. “Mas como os anúncios nem sempre funcionam assim, muitas pessoas começaram a evitar certos apps ou sites, ou usar software para bloquear anúncios, para parar de ver anúncios ruins.” – disse Bosworth, vice presidente da divisão de anúncios do Facebook.

facebook adblock ativado
Exemplo de página do IMDb com Adblock ativado.

Então os anúncios deixaram de funcionar na rede social de Zuckerberg por um dia, mas a comunidade que apoia e desenvolve os bloqueadores de anúncios reagiu rapidamente, lançando uma atualização que quebrava este bloqueio.

Mas não durou muito tempo. Em seguida o Facebook implementou uma nova maneira de publicar os anúncios no Facebook, de forma que os AdBlockers não conseguem identificar o que é anúncio ou o que é conteúdo da rede, como postagens e fotos.

No momento os anúncios estão funcionando no Facebook, mas isto é apenas o começo dessa guerra. Mesmo caso os AdBlockers saiam bem dessa, não significa que o Facebook vai fechar as portas – existem muitas formas de capitalizar com usuários e provavelmente o Facebook entraria em outro modelo. Talvez um misto opt-in/out , oferecendo ao usuário um formato com anúncios, gratuito. E para aqueles que não querem ver anúncios, pagamento de uma assinatura mensal ou anual. É bom lembrar que está ideia é muito válida, basta recordar que o próprio WhatsApp em um passado recente cobrava uma assinatura (R$1,00/ano). Enquanto essa guerra desenrola eu vou pegar meu pote de pipoca e assistir atentamente ao que os desenvolvedores são capazes de fazer defender seu lado!